A mais nova adaptação do conto “O Nevoeiro” (The Mist), do livro Tribulação de Esqueleto de Stephen King, chegou na Netflix no dia 25 de agosto. A primeira temporada da série conta com 10 episódios e um final completamente aberto pra o surgimento de uma segunda temporada.

Vou procurar fazer uma pequena análise da série em paralelo com conto e o filme lançado em 2007, então você poderá tirar suas próprias conclusão sobre o valor desta. Prometo não dar (muitos) spoilers!

A série narra os acontecimentos tenebrosos causados com a chegada de um denso e misterioso Nevoeiro em uma pequena cidade nos Estados Unidos. Somos apresentados à diversos personagens, cada um deles com sua cota de dificuldades e lutas internas diárias. Tais personagens são forçados a conciliar seus problemas pessoais com a chegada da estranha névoa, que por sua vez tem causado confusão e morte entre os habitantes da cidade.

Primeiramente, os persongens da série são completamente diferentes dos apresentados no conto. A história original tem como foco David e seu filho, que entram em um supermercado para se proteger da névoa, sendo o filme cópia fiel nesse quesito. A série, por sua vez, não concentra sua história em apenas um personagem e local. Apesar de apresentar um leve foco nos personagens Kevin, Eve and Alex, temos tambem diversos outros  núcleos familiares tentando se encontrar, bem como vários personagens localizados em diferentes partes da cidade.

Obviamente, a série não é uma adaptação fiel à história original. Eu diria que apenas uma personagem trás uma inspiração mais forte em relação ao conto, sendo esta Nathalie Raven, uma senhora hippie considerada excentrica. Digo inspirada porque enquanto no conto somos apresentados a uma senhora já claramente maluca, na série podemos vê-la desenvolver uma linha de pensamento que beira a loucura mas que é decorrente dos fatos que estão acontecendo em sua volta e que, de certo modo, fazem sentido.

O supermercado, ponto principal do conto e do filme, não aparece na série. Um ponto interessante, pois trás certa originalidade a um conto conhecido e já adaptado anteriormente. Dessa forma, temos a oportunidade de ver o que aconteceu com a cidade além do que já conhecemos. Imagino que não veremos nenhuma ligação com os personagens originais, mas confesso que gostaria de vê-los incluídos em algum ponto da trama.

A origem da Névoa não é explicada no conto ou nem na série. Porém as teorias que os cidadãos apresentam são relativamente as mesmas em ambos, focando-se basicamente em uma forma de vingança da natureza.

A atuação recebeu muitas crítidas dos espectadores. Confesso que os atores não foram os melhores, mas esse ponto não me incomodou. Por outro lado, o nevoeiro propriamente dito não me agradou nem um pouco. De início, nos parece que a névoa mexe com a cabeça das pessoas, o que vem a causar-lhes a morte. Porém, ela também se manifesta através de coisas fisicas, como insetos (e monstros) relacionados aos medos e desejos das vitímas. Pessoalmente, isso foi difícil de engolir, pois a representação de tais coisas não conceve o espectador.

Devo dizer que o roteiro é cheio de pontos soltas, adicionando cenas relevantes a princípio mas que não se encaixam ao final dado. Faltou um pouco de sabedoria em encaixar as ações anteriores dos personagens com o que aconteceria a eles posteriormente. Sem contar os conflitos e motivações fracos que são utilizados para adicionar drama a série. Não posso falar muito sobre isso aqui sem dar spoilers, porém tenho certeza que vocês vão perceber esses detalhes ao longo do caminho.

A conclusão da trama, por sua vez, deixa a desejar. Os acontecimentos finais acontecem de forma muito rápida, com vista a resolver todas as “subtramas” apresentadas durante os demais episódios, solucionando as questões de forma rasa e sentimentalista. Em suma, a série poderia ter sido uma ótima extensão de uma história que já conhecíamos, pois teve oportunidade e tempo para isso. Infelizmente, O Nevoeiro não alcançou a profundidade desejada por nós, espectadores.

Mesmo com todas as conderações que apresentei acima, eu posso dizer que gostei da série. Sem dúvida não é a melhor que eu já assisti, porém faz seu trabalho em entregar uma história relativamente original, apesar de não muito profunda. Entre erros e acertos acredito que que a série vale ser vista se você não é muito exigente quanto a fidelidade das adaptações de livros e gostaria de tirar suas próprias conclusões.

Além disso, sempre podemos ter esperanças de uma melhoria na segunda temporada. Eu, por exemplo, não perdi a fé.

About The Author

22 anos. Casada com seu príncipe dos 15 anos. Formada em direito. Julga o livro pela capa SIM e fica muito decepcionada quando um livro bonito tem uma história ruim. Adora assistir adaptações cinematográficas dos livros que leu e não se importa quando a história fica um pouco diferente do original, desde que as características e personalidades dos personagens sejam mantidas. Em resumo: apaixonada por histórias, seja na tela ou no papel. Deve esse vício à sua mãe, que é uma leitora as vezes ainda mais voraz que ela.

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