Muito famoso pelas suas obras sobre inteligência artificial e pela “Trilogia da Fundação”, ganhadora do prêmio Hugo de melhor série de Ficção Científica ou Fantasia de todos os tempos, Isaac Asimov é visto como um dos três maiores escritores de Ficção Científica da história. Quem lê suas obras se maravilha com o universo construído pelo autor, que hoje consideramos retrofuturista. Contudo, entre os quase 500 livros de Asimov, não seria um tanto improvável se todos fossem… bons?

A verdade é que mesmo os mestres não começam suas carreiras perfeitos (e às vezes começam extremamente inabilidosos), fato que descobrimos lendo Pedra no Céu (Pebble in the Sky).

Neste romance, conhecemos Joseph Schwartz, um idoso que, devido a um acidente científico, é transportado para milênios no futuro. Nessa nova realidade é apresentado aos grandes dilemas da Terra daquela época, onde um grupo de revolucionários, ancorados em um sistema de costumes que beira o religioso, aspira ao comando do Império Galáctico.

Como estamos acostumados, Asimov trabalha muito bem os conceitos do mundo que se propõe a apresentar. Ele foge, assim como na Trilogia da Fundação, de características novelescas, focadas nos personagens, para narrar o desenrolar de grandes eventos sociais. No romance, o tema do preconceito é muito bem discutido, através do “racismo” que existe entre os chamados “galácticos” e os terráqueos, além, claro, de demonstrar a possível consequência de tal sentimento. Longe de ser maniqueísta, preto-no-branco, nesse recorte do universo de Asimov, o preconceito é uma via de mão dupla, presente nos dois grupos que se desgostam.

Capa cor de rosa do livro Pedra no céu de Isaac Asimov. Na capa há uma espaçonave

A capa da Editora Aleph está lindíssima, nisso temos que concordar ú.ú

Mas o problema está na narrativa do livro. A trama se desenvolve de forma quase aleatória, com elementos grandiosos aparecendo e desaparecendo sem grandes consequências. O acontecimento que dá início à narrativa, por mais catastróficas que poderiam ser suas consequências, simplesmente some depois de utilizado. Sem falar que, Schwartz, o personagem principal, é praticamente a encarnação do conceito de Deus ex machina. Ele está ali somente para resolver todos os problemas milagrosamente.

O fato de Schwartz ser um homem do passado não foi muito significativo em relação à história principal. Nem os personagens secundários, que possuem personalidades extremamente insossas, têm um papel bem definido. Lendo “Pedra no Céu”, nos sentimos levados por um mar de aleatoriedades que só existem para apresentar os conceitos pensados pelo escritor.

Como boa parte da obra de ficção de Isaac Asimov, Pedra do Céu se encaixa na linha do tempo que liga vários contos e romances em um só universo. É clara, e explícita, a ligação entre esse romance e a Série da Fundação. Conceitos aqui trabalhados, posteriormente serão essenciais para as obras seguintes do escritor. E talvez essa seja a única esfera na qual o livro funcione: como um ponto a mais na sequência de livros desse universo. Pode ser uma leitura até interessante para os fãs da série, mas com certeza não será um bom livro para quem não conhece as outras [mais sólidas e mais interessantes] obras de Asimov.

Como leitor de ficção científica, confesso que é um tanto estranho criticar negativamente uma obra do “bom doutor”. O livro, publicado em 1950 foi o primeiro romance do autor, então é normal que ele caia nos erros da inexperiência. Eu não recomendaria esse exemplar para novos leitores do gênero de ficção científica.

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Jornalista, aventureiro da internet e assistidor de desenho animado, Daniel Marques é brasiliense, tenta continuar sempre aprendendo e jura que é uma pessoa legal.

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